Não consigo pagar minhas dívidas: por onde começar

Antes de falar com banco, com advogado ou com qualquer pessoa que prometa resolver, vale gastar meia hora entendendo o tamanho real do problema. É o que muda a conversa.

1. Some tudo o que entra e tudo o que sai

Pegue um papel ou o bloco de notas do celular e escreva três números:

  • O que entra por mês, já descontado o que sai direto na fonte (INSS, imposto, consignado). É o dinheiro que realmente chega na sua mão.
  • O que sai em despesa essencial: aluguel ou prestação da casa, comida, água, luz, gás, transporte para trabalhar, remédio de uso contínuo, escola dos filhos.
  • O que sai em parcelas de dívida: cartão, empréstimo, carnê, financiamento, cheque especial.

Se o terceiro número, sozinho, já come a maior parte do primeiro, ou se o primeiro menos o segundo não cobre o terceiro, a situação não é de desorganização. É de endividamento estrutural, e existe caminho jurídico previsto em lei para isso.

2. Liste as dívidas uma por uma

Sem lista, ninguém consegue negociar. Para cada dívida, anote:

  • com quem você deve (banco, financeira, loja, operadora);
  • quanto era e quanto está hoje;
  • o valor da parcela e quantas faltam;
  • se está em atraso e há quanto tempo;
  • se já foi renegociada antes;
  • se há desconto automático em conta, salário ou benefício.

Essa lista é a base de tudo o que vem depois. A página de documentos mostra o que buscar para comprovar cada item.

3. O que não fazer agora

  • Não faça um empréstimo novo para pagar dívida antiga sem entender o custo total. É assim que a maioria das dívidas dobra.
  • Não aceite proposta por telefone sem receber por escrito o valor total, o número de parcelas e os juros aplicados.
  • Não pague para "limpar o nome". Empresa que cobra taxa antecipada para retirar seu nome de cadastro de inadimplentes está, na melhor das hipóteses, vendendo algo que você mesmo pode fazer de graça.
  • Não assine nada que você não entendeu. Pedir uma cópia do contrato antes de assinar é direito seu.

4. Para onde ir a partir daqui

Com os números na mão, os próximos passos dependem do seu caso:

Perguntas frequentes

Estar com o nome negativado é a mesma coisa que estar superendividado?

Não. Negativação é o registro do atraso em um cadastro de inadimplentes. Superendividamento é uma situação econômica: a impossibilidade de pagar o conjunto das dívidas sem comprometer o mínimo existencial. É possível estar superendividado com o nome limpo, e estar negativado por uma única conta pequena.

Preciso parar de pagar tudo antes de procurar ajuda?

Não. Interromper pagamentos por conta própria pode piorar a sua posição, gerar encargos e ações de cobrança. O que fazer com cada parcela é decisão que depende de análise do seu caso.

Dívida de aposentado ou pensionista tem tratamento diferente?

A lei protege especialmente pessoas idosas contra assédio na oferta de crédito, e o desconto em benefício tem limites próprios. A situação de quem recebe benefício previdenciário costuma exigir olhar específico sobre os descontos que já ocorrem.

Responsabilidade editorial: conteúdo redigido pela equipe editorial do Superendividamento e revisado por Edson Rodrigues da Silva, OAB/DF nº 70.435. Como revisamos o conteúdo.

Publicado em 03/09/2026 · Última revisão em 03/09/2026.

Este conteúdo é informativo e não substitui a análise individual do seu caso. Nenhuma página deste portal afirma que você tem direito a algo: cada situação depende dos seus contratos, da sua renda e das suas despesas.

Quer conversar sobre a sua situação?

O atendimento é humano, por WhatsApp, das 08h às 18h, todos os dias. Nenhuma orientação individual é dada por este site — quem analisa o caso é o advogado responsável.

Falar pelo WhatsApp
Como funciona Falar no WhatsApp